sexta-feira, 13 de março de 2015

Ansiedade
por - Walnei Arenque


Sabe aquela inquietação, aquele desejo exagerado, aquela vontade de vivenciar alguma coisa rapidamente, aquele desejo de antecipação, aquele medo ou apreensão, ou até mesmo aquele sentimento de desastre iminente associados com vários graus de excitação?

São as características de ansiedade. Hoje em dia é normal que nós tenhamos e passemos por momentos de ansiedade, uma vez que vivemos afobados, com receios, inseguros. Temos que resolver várias coisas ao mesmo tempo e, além dos problemas do agora, temos que resolver os do amanhã e depois de amanhã, tudo isso rápido, muitas vezes nos levando ao sentimento de competição e comparação, colocando-nos em posição de alerta constante.

Com tudo isso, é claro que o desejo de acabar ou terminar certas coisas ou certos sentimentos nos assolam de forma impiedosa! A ansiedade é um fato normal, mas pode, com o tempo, passar dos limites, trazendo problemas para nossa qualidade de vida. E é na qualidade de vida que sempre venho falando... É o que temos que pensar e buscar.

Na ansiedade, pelo menos 6 dos 18 sintomas descritos abaixo, freqüentemente estão presentes: Irritabilidade Resposta de alerta exagerado Ondas de calor ou arrepios Micção freqüente Tremores, contrações musculares ou sentir-se nervoso. Respiração curta ou sensação de sufocamento; Palpitações Tensão muscular, dores ou sensibilidade aumentada. Inquietação Sentir-se facilmente fatigado Suores ou mãos frias e pegajosas Boca seca Tontura ou vertigem Náusea, diarreia.

Problemas ao engolir ou nó na garganta Sensação de excitação ou nervos "à flor da pele" Dificuldade de concentração ou a mente fica "vazia" devido à ansiedade Problemas para adormecer ou continuar dormindo Fica claro que a sintomatologia da ansiedade não é apenas psíquica, que varia de pessoa para pessoa, fortemente influenciado pela personalidade e formas de enfrentamento de uma determinada situação, mas também é sobretudo física, tendo também variação da intensidade de pessoa a pessoa. Estima-se que 5% da população em geral tenha ansiedade generalizada e tenha uma ocorrência duas vezes mais nos sexo feminino.

Uma vez que você se vê nesta situação, vamos a uma dica! Concentre-se na sua respiração, a sua freqüência respiratória precisa ser diminuída e para tal você deve inspirar lentamente e em seguida deve-se expirar e tirar todo ar do pulmão com ajuda do diafragma, de uma forma bem lenta. A respiração tem a capacidade de controlar o corpo e mente. Repita este exercício várias vezes... É eficaz... E como diz um psiquiatra amigo meu -"Uma coisa de cada vez". Sempre...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A CRISTALEIRA


Será que você está usando o que tem de melhor, no tempo certo, ou está guardando tudo para nunca usar.

Os amigos leitores que tem mais de quarenta anos de idade, certamente já ouviram falar sobre um móvel muito comum nas casas de antigamente, a cristaleira. Muitos até provavelmente, já viram ao vivo a cristaleira, na casa da vovó. Aos que nunca ouviram falar nela, eu explico. Trata-se de um bonito móvel de madeira, com portas de vidro, geralmente altos e imponentes, com gavetinhas. Normalmente ficavam em um lugar de destaque nas salas. As portas sempre tinham fechaduras. As cristaleiras eram utilizadas para guardar e, principalmente expor, objetos muito singelos e bonitos, como xícaras de porcelana, baixelas de prata, bules desenhados a mão, enfeites raros e pequenos mimos.
A vovó arrumava tudo dentro da porta de vidro da cristaleira e trancava a porta como precaução, sendo que a chave era colocada logo abaixo, na gavetinha, vejam bem! Ali estavam objetos que seriam usados apenas em ocasiões especiais. E quando eram as ocasiões especiais? Elas nunca chegavam e a cristaleira permanecia ali, guardando aqueles preciosidades intactas, trancada, sem nunca abrir suas portas para que as xícaras saíssem e se enchessem de chá para um brinde especial.
Até que em uma certa tarde chega a visita querida. O neto, já um moço, na casa da vovó, debilitada pela idade, morando sozinha por pura teimosia, com dificuldades para andar. O neto é recebido, junto com sua nova namorada, e vai logo apresentando entusiasmado àquela bela moça a cristaleira da vovó. O neto mostra os objetos para a namorada e explica que aquilo tudo somente será utilizado em uma ocasião especial, conta ainda que aquela ocasião nunca aconteceu à suas vistas.
Vovó então, prepara um chazinho de camomila, afinal ela quer todos calminhos, para as visitas e o neto pergunta se podem, somente naquele dia, usar as xícaras de porcelana da cristaleira, aquela seria a data especial, conhecer a namorada, vovó quase em trauma, diz logo que não, elas são para uma ocasião especial. O chá é servido em copos de requeijão reaproveitados, como sempre. As xícaras ficam mais uma vez sem participar da reunião, esperando pela ocasião especial. E a ocasião que nunca chega! Um dia quem sabe!
E você, será que está guardando na cristaleira de sua vida, algum objeto, roupa, atitudes, emoções, para uma ocasião especial? Será que você está usando o que tem, no tempo certo, ou está guardando para uma ocasião especial? Será que você ainda guarda aquele vestido velho? Você vai dormir com a camiseta de propaganda do mercado e calção de futebol velho e nunca coloca aquela camisola de seda para seu marido, aquela nova, guardada para ocasiões especiais que nunca chegam? Guarda aquelas palavras bonitas e carinhosas, atitudes humanas e firmes, para ocasiões especiais que nunca chegam? Deixa o seu melhor para depois? Será que você se cala em suas atitudes generosas?
A ocasião especial é agora. Use sua melhor roupa, abra a cristaleira, seja uma pessoa melhor, não espere a ocasião especial, ela é agora. Seu despertar já é especial, viver é especial.
Abra seu melhor sorriso, seja uma pessoa iluminada, faça o bem. Será que conseguiremos mudar o mundo? Talvez. Mas podemos começar mudando nossas atitudes em relação ao mundo. Peça perdão, valorize o que você tem, valorize seus pais, pratique a solidariedade, tenha atitudes positivas para você mesmo, não para que outros vejam, pense bem antes fazer as coisas, lute por seus objetivos , use agora o que tem de melhor e assim você se sentirá recompensado.

Comece o ano bem, de bem consigo mesmo, dando o melhor, usando o que tem de melhor e viva intensamente. Quem será que usará as xícaras da vovó ?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Te desejo muitos desejos
Artigo para Revista ZN


Que todos vivam em sua totalidade, em sua plenitude, em harmonia e prosperidade

Doze meses, doze longos meses, e chegamos ao ultimo mês do ano, quase nos arrastando, exaustos, exauridos com tantas dificuldades, tantas provações. Superamos, acabou, em janeiro tudo se renova, tudo começa outra vez, as esperanças, os desejos, os planos, a certeza de que tudo vai melhorar, tudo vai dar certo, temos que acreditar. Se não fossem os dias, os meses, as horas, seria impossível viver ou melhor, sobreviver. Vivemos em função da esperança, de dias melhores, de renovação, do amanhã. Sonhamos com famílias unidas, amigos sinceros, casais cúmplices. Sonhamos e desejamos alegria, sucesso, saúde. Queremos pessoas mais solidárias, menos solitárias, mais caridosas. O ano que passou foi difícil, sim, para todos. É sempre difícil, mas dia 31 tudo muda. Tudo vai melhorar. Tivemos pouca água, muito calor, copa do mundo perdida, eleições. Ano agitado, mas tudo passa. Lembre-se sempre que tudo de ruim passa, mas tudo de bom também passa. Está se aproximando o fim do ano e com ele o começo do novo ano. Desejo que todas as pessoas possam sonhar, realizar, conviver e compartilhar. Ter com quem dividir suas angústias e frustrações, ter com quem partilhar seus momentos, sejam eles alegres ou nem tanto. Torço para todos os sorrisos que puderem Te desejo muitos desejos Que todos vivam em sua totalidade, em sua plenitude, em harmonia e prosperidade. sorrir, para todas as emoções que puderem sentir. Torço para jovens promissores, casais apaixonados, empregos entusiasmantes, governantes honestos, corpos saudáveis, enfim, só coisas boas, muitas conquistas e aprendizados. Que todos vivam em sua totalidade, em sua plenitude, em harmonia e prosperidade. Mas temos que ter a certeza de que nós mesmos somos os donos de nossas atitudes, de nossas decisões, temos o livre arbítrio para fazermos o que quisermos, lembrando sempre que somos reféns das consequências de nossos atos. Vamos ser do bem, sempre, querendo receber o que damos. Tratando como queremos ser tratados. Respeitando. Enfim, o fim se aproxima e o início também. Outro número, outros ares, tudo novo, de novo. Todos precisam de amor e atenção, mas uns precisam mais que os outros. Te desejo muitos desejos. Que venha o novo, o ano novo. •

Walnei Arenque - Psicóloga - Coach



Programa De Bem com a Vida - Falando Sério




Walnei Arenque - Psicóloga - Coach 


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A mesa Você realmente conhece quem mora com você? 

Walnei Arenque - Artigo para minha coluna na Revista ZN


 Há pouco passamos pelo dia das crianças, data festiva e comemorada entre todas as famílias, esperada pelas crianças, principalmente pela possibilidade de ganhar um bom presente. Passei então a pensar como são hoje em dia e como serão no futuro, as relações pessoais dos pais com seus filhos. Resolvi fechar meus olhos e fazer uma viagem, uma viagem imaginária ao futuro. Fui parar no ano de 2162 e, como em um filme, pude observar os moradores do lugar, em suas relações familiares e cheguei bem perto de um menino que estava acompanhado de um homem. Percebi que tratava-se de pai e filho e então fui ver o que fariam naquela tarde. Comecei a perceber que se tratavam por número e não por nome. O pai era o P1 e o filho o F2. Combinaram em poucas palavras trocadas, que iriam a um museu onde estavam antiguidades. Entraram no museu e pararam diante de um objeto estranho para eles – era um tampo de madeira retangular, madeira branca e trabalhada, e tinha quatro hastes nas pontas. Foram ouvir eletronicamente do que se tratava aquele antigo e desconhecido objeto e aprenderam que seu nome era mesa. Com a explanação e demonstração em 3D daquele estranho objeto, perceberam que em sua volta geralmente havia outros objetos estranhos, chamados de cadeiras. Aquelas pessoas do futuro, curiosas, interagiram com a máquina 3D de demonstração e descobriram para que servia aquela tal de mesa, no ano de 1970. Descobriram que era um objeto que estava presente em todas as casas daquela época e ficava geralmente em uma sala de jantar. Os filhos aguardavam ansiosos o pai chegar em casa, iam sempre esperá-lo na porta e ele era sempre recebido com um abraço. Recebido o pai com honras de chefe de casa, sentavam-se, e faziam suas refeições todos juntos, conversando. Pai, mãe e filhos juntos em uma mesa e conversando. A máquina 3D demonstrava que os pais perguntavam sobre o dia dos filhos, perguntavam sobre suas tarefas escolares, recebiam opiniões e opinavam sobre todas as atividades da família. Todos ficavam sentados de frente uns para os outros e comiam juntos e conversavam. Não havia segredos, não havia traumas, filhos encontravam nos pais o acalanto, a segurança, a harmonia gerada pela relação familiar sólida. A opinião do pai era sempre bem-vinda, até nos assuntos mais delicados. Pais tinham tempo para ouvir seus filhos e filhos tinham tempo para falar com seus pais. P1 e F2 davam risada e achavam aquilo um absurdo. Conversa entre pais e filhos, impossível, isso nunca existiu. Filhos têm amigos para conversar, geralmente por meio eletrônico, não precisam de pais. Casamento é uma besteira, só atrapalha. Por isso mesmo cada um mora em uma casa. Conversa por mensagem é muito melhor, pensavam. Havia um programa de computador chamado Melhor Amigo, por meio do qual as pessoas conversavam com uma máquina, cujas respostas eram exatamente as que queriam ouvir e o programa nunca discordava de sua opinião. Muito melhor. E se diziam humanos, aí eu que estava achando aquilo um absurdo. Voltando à realidade, hoje em dia, será que a sua mesa está sendo utilizada para a reunião familiar diária, para fazer as refeições junto e conversar? Sua mesa já é um objeto descartável em sua casa? Peça de museu? Sua família faz as refeições na frente da TV, na frente do computador, sentado cada um num canto da casa, sem contato, sem conversa, sem nome? Você realmente conhece quem mora com você? Pense agora, é melhor dar de presente um iTudo Qualquer, comprado pela internet, entregue pelo carteiro, sem emoção, sem cartinha, sem nada, só dinheiro, ou seria melhor construir com seu filho um carrinho de rolimã, com madeira achada na rua, mas construído junto? O que tem mais valor, o que emociona mais? Ver seu filho mexendo no iTudo num quarto, sozinho, ou sair com ele, levando o carrinho construído junto, para andar na pracinha e dar boas risadas? Dá tempo para mudar? O futuro está definido? Resgate seu filho, resgate a mesa de sua casa, não deixe sua história ser esquecida, converse, conviva, construa. Dê mais iAmor, iCompreensão, iConselhos. O futuro de ontem é hoje. Faça acontecer.•




terça-feira, 28 de outubro de 2014

Secret, a publicação do segredo secreto


Minha vovó sempre falava do fim do mundo, e eu dava risadas. Hoje, mais madura e um ser mais pensante, acredito que ela tinha lá sua razão. Juntei a fala dela e, conjugando com a minha, penso que estamos no fim de uma civilização. Só pode ser, meu Deus! Cada dia uma surpresa e, às vezes, não muito produtiva, de verdade muitas indo contra os princípios morais! Recentemente surgiu entre nós, na rede social, o aplicativo denominado “Secret”. Fiquem atentos papais, mamães e escolas! Este novo modismo está se espalhando muito entre adolescentes. Um dia destes uma amiga minha, professora de ensino fundamental, me ligou desesperada para saber como lidar com esta nova modinha maléfica. Então mãos à obra para uma pesquisa rápida neste aplicativo.

O “Secret” tem uma interface com o Facebook e vai abrindo seus braços para vários outros aplicativos. O pior de tudo é que este é um aplicativo que permite a seus usuários compartilharem seus maiores segredos de maneira anônima entre seus amigos e, possivelmente, para desconhecidos. Ele se popularizou rapidamente e a garotada está se expondo deliberadamente. Por ser anônimo, têm sido divulgadas fotos de alunas e de alunos nus, ou parte de seus corpos nus (pênis, seios, pernas e virilhas, bundas...). Em seguida, vêm os comentários, os mais vulgares, antiéticos, vexatórios e humilhantes possíveis. Difundem-se, protegidas pelo anonimato covarde da rede “secreta”, opiniões machistas, preconceituosas e violentas contra meninos e meninas que têm seus corpos e intimidades expostos na rede.

Divulga-se a intimidade com o manto de proteção do anonimato. Ainda vale, mais uma vez, ressaltar que não é possível identificar quem publicou as fotos e nem quem as comenta. Eu acho que o valor da vida está enfraquecido. Eles, os adolescentes, se expõem despropositadamente sem medir consequências. Pessoalmente, estoumuito incomodada com a interferência dessas relações virtuais, secretas e violentas entre os adolescentes. O clima e a tensão que teve início entre os grupos são visíveis e devemos abordar o assunto de forma enérgica para que nossos filhos não entrem nesta patifaria. Desculpem-me os formadores de opinião que pregam a não invasão da privacidade; os adolescentes precisam de parâmetros de vigilância nestes tempos modernos. Eu olharia, sim, o celular de meu filho. A propósito, não só olharia como reviraria o aparelhinho. Passaria uma revista geral no computador dele, sem dó nem piedade e sem medo de ser invasiva, sem medo desse papo furado de respeitar a intimidade do adolescente.

Precisamos salvar nossos filhos adolescentes do malefício de redes sociais, informando e trazendo luz na escuridão. Para finalizar e completar deixo aqui as palavras da dra. Aline Sabino, médica psiquiatra, sobre o assunto: “Acredito que o app Secret tenha sido criado com boas intenções, com a proposta de um espaço livre para expressão de opiniões, pensamentos, sentimentos, preservando o anonimato. Porém surgiu, pelo mau uso, uma oportunidade para a prática dobullying, da pedofilia e do exibicionismo. Os jovens estão inconsequentes, pouco motivados a se tornarem adultos funcionais, banalizam os malefícios do consumo de álcool e drogas e expõem seus corpos sem pensar nas consequências. Não respeitam a ninguém e nem a eles próprios. É muito triste pensar que hoje os jovens estão morrendo mais, sendo o suicídio a segunda causa de morte entre eles. Os pais precisam estar próximos aos filhos. Não adianta dar na mão deles um celular, um tablet, e não monitorar o que eles acessam. A tecnologia abre as portas para uma enxurrada de informações e práticas que podem ser boas e más. É preciso estar atento ao comportamento dos filhos no mundo real e virtual.” 


Créditos:



Por Walnei Arenque - Coach de Relacionamento - walneiarenque@gmail.com